HOJE, ÀS 23H
ÚLTIMA passagem do ADEUS À BRISA.
Vários leitores vão lá estar. Ainda bem.
Os filmes são para ser vistos em sala. E, se voltar a repetir-se o momento comovente que aconteceu na primeira projecção no cinema Londres, então, acho que só perde quem não vai.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
20 de outubro de 2008
16 de outubro de 2008

PROBLEMAS INFORMÁTICOS
Agora percebo os brados indignados da Oposição à entrega em formato electrónico do Orçamento de Estado para 2009.
É que eu também, procurei os apoios à Cultura, utilizando o "search" dentro do pdf... e só me saía "Agricultura".
Sugiro já que se corrija este bug. Estou certo que a ânsia do Psd, Cds e Pcp sobre esta matéria é tão aflitiva como a do Ps, que montou esta proposta de uso dos dinheiros públicos no próximo ano....
13 de outubro de 2008
OFERTA DE CONVITES
Para personalizar um pouco este espaço e juntar as pessoas no mundo real, o PRAZER_INCULTO e a FILMES DO TEJO, resolveram oferecer 10 convites duplos (ou um total de 20 lugares caso as pessoas prefiram ir sozinhas) para a projecção do meu filme, O ADEUS À BRISA.
Como já foi indicado num post anterior, a projecção (será a segunda, a primeira acontecerá na próxima sexta-feira, dia 17, às 18h) terá lugar no Grande Auditório da Culturgest,na segunda-feira, 20 de Outubro, no horário reservado à competição nacional: 23 horas.
Basta enviar um email para sofiasousa@filmesdotejo.pt, com a frase "Sei que é asneira, mas quero ir ver o filme do Possidónio Cachapa." E indicar se pretendem 1 ou 2 lugares gratuitos.
:) Os primeiros corajosos irão para a guest list e lá nos veremos.
Para personalizar um pouco este espaço e juntar as pessoas no mundo real, o PRAZER_INCULTO e a FILMES DO TEJO, resolveram oferecer 10 convites duplos (ou um total de 20 lugares caso as pessoas prefiram ir sozinhas) para a projecção do meu filme, O ADEUS À BRISA.
Como já foi indicado num post anterior, a projecção (será a segunda, a primeira acontecerá na próxima sexta-feira, dia 17, às 18h) terá lugar no Grande Auditório da Culturgest,na segunda-feira, 20 de Outubro, no horário reservado à competição nacional: 23 horas.
Basta enviar um email para sofiasousa@filmesdotejo.pt, com a frase "Sei que é asneira, mas quero ir ver o filme do Possidónio Cachapa." E indicar se pretendem 1 ou 2 lugares gratuitos.
:) Os primeiros corajosos irão para a guest list e lá nos veremos.
HÁ UM RUÍDO DO LADO FORA DA CASA
Passa das 3h da manhã. Tento acabar um trabalho alimentício, nesta madrugada de domingo para segunda.
Trabalho um bocado, leio o correio que um leitor me escreve, vejo um pedaço de um vídeo relacionado com a minha tarefa e ouço-me a teclar. Penso nos antebraços que me doem do mau apoio na mesa apinhada de papéis, livros, uma chávena de chá, caixas de dvd, auscultadores, um cartão de visita... Ao fundo, a planta de interior que tem crescido vá-se lá saber como, no cantinho da janela.
Depois ouço um carro que passa na rua, tomo consciência do silêncio à minha volta (de pessoas). Reparo que estou vivo, mesmo se me tinha esquecido que este corpo que trabalha tinha uma existência física.
É tarde, tempo de largar a metafísica e avançar no trabalho.
Mas continua a haver uma rua para lá da minha casa...
Passa das 3h da manhã. Tento acabar um trabalho alimentício, nesta madrugada de domingo para segunda.
Trabalho um bocado, leio o correio que um leitor me escreve, vejo um pedaço de um vídeo relacionado com a minha tarefa e ouço-me a teclar. Penso nos antebraços que me doem do mau apoio na mesa apinhada de papéis, livros, uma chávena de chá, caixas de dvd, auscultadores, um cartão de visita... Ao fundo, a planta de interior que tem crescido vá-se lá saber como, no cantinho da janela.
Depois ouço um carro que passa na rua, tomo consciência do silêncio à minha volta (de pessoas). Reparo que estou vivo, mesmo se me tinha esquecido que este corpo que trabalha tinha uma existência física.
É tarde, tempo de largar a metafísica e avançar no trabalho.
Mas continua a haver uma rua para lá da minha casa...
8 de outubro de 2008
PASSAM OS DIAS A PERGUNTAR-ME:
Que expectativas tens em atingir esta ou aquela satisfação pessoal no futuro.
Respondo que nenhuma. Estou demasiado focado em me sentir tranquilo, agora.
ps: quem tiver mais de 30 anos e queira reflectir sobre a efemeridade do sucesso, veja na RTP Memória os festivais da canção dos anos 70. Quem diabo são aquelas pessoas de quem nos lembramos vagamente das músicas? E na edição de 1979, surge uma misteriosa Manuela "Matos". A pista para este último mistério resume-se em poucas palavras: "azar com o botox" e TVI...
Que expectativas tens em atingir esta ou aquela satisfação pessoal no futuro.
Respondo que nenhuma. Estou demasiado focado em me sentir tranquilo, agora.
ps: quem tiver mais de 30 anos e queira reflectir sobre a efemeridade do sucesso, veja na RTP Memória os festivais da canção dos anos 70. Quem diabo são aquelas pessoas de quem nos lembramos vagamente das músicas? E na edição de 1979, surge uma misteriosa Manuela "Matos". A pista para este último mistério resume-se em poucas palavras: "azar com o botox" e TVI...
6 de outubro de 2008
O NEGÓCIO DAS PELES
Ainda andam por aí, as dondocas embrulhadas em bichos. As bimbas a sonharem imitá-las, a marca da trepadora social a aquecer as saídas nocturnas.
Hoje recebi o pedido para uma petição sobre esta questão. Dizia, e bem, que não era preciso ver o vídeo para assinar. Eu vi. Uma parte.
Não há jogos olímpicos que apaguem esta visão de animais a ser esquartejados vivos, como não haverá a de homens executados à bala, por ordem de tribunais.
A petição anda por aí.
E para os cépticos, fica o link que desaconselho: http://www.petatv.com/tvpopup/video.asp?video=fur_farm&Player=wm&speed=med
ps: ver a insistência da RTP em gastar o dinheiro dos contribuintes a mostrar touradas também nos devia indignar. Mas parece que ainda não chegou a hora. Gloriosamente bárbaros por mais uns tempos.
Ainda andam por aí, as dondocas embrulhadas em bichos. As bimbas a sonharem imitá-las, a marca da trepadora social a aquecer as saídas nocturnas.
Hoje recebi o pedido para uma petição sobre esta questão. Dizia, e bem, que não era preciso ver o vídeo para assinar. Eu vi. Uma parte.
Não há jogos olímpicos que apaguem esta visão de animais a ser esquartejados vivos, como não haverá a de homens executados à bala, por ordem de tribunais.
A petição anda por aí.
E para os cépticos, fica o link que desaconselho: http://www.petatv.com/tvpopup/video.asp?video=fur_farm&Player=wm&speed=med
ps: ver a insistência da RTP em gastar o dinheiro dos contribuintes a mostrar touradas também nos devia indignar. Mas parece que ainda não chegou a hora. Gloriosamente bárbaros por mais uns tempos.
3 de outubro de 2008
29 de setembro de 2008
DAS COISAS ROBOTIZADAS
Acabei de ver um documentário dinamarquês, aqui, no Nordisk Panorama, sobre as relações que se podem estabelecer entre as pessoas, sobretudo as mais idosas e solitárias, e os novos robots. "Geminóides", como o inventor lhe chama,fisicamente muito próximos de nós, ou "animais", a quem se acaricia e que respondem pelo nome.
O filme, não dá muitas respostas, preferindo as interrogações. Uma delas que é quase uma resposta: o que há para questionar quando uma máquina nos deixa mais felizes do que os seres humanos que nos cercam?
Acabei de ver um documentário dinamarquês, aqui, no Nordisk Panorama, sobre as relações que se podem estabelecer entre as pessoas, sobretudo as mais idosas e solitárias, e os novos robots. "Geminóides", como o inventor lhe chama,fisicamente muito próximos de nós, ou "animais", a quem se acaricia e que respondem pelo nome.
O filme, não dá muitas respostas, preferindo as interrogações. Uma delas que é quase uma resposta: o que há para questionar quando uma máquina nos deixa mais felizes do que os seres humanos que nos cercam?
28 de setembro de 2008
CARTA DE MALMÖ
De passagem pela Suécia, reparo sobretudo no cuidado com as questões ecológicas. Pratos e talheres feitos de aparas de madeira reciclada, autocarros que andam a gás natural,por todo o lado avisos e sugestões à redução da poluição.
Na entrada do cinema oferecem-me maçãs, para o caso de me dar fome. Claro que mais à frente,as pipocas resistem, mas dão-me opção, gratuita, ainda por cima.
O barulho dos carros existe, mas é menor do que estou habituado.
Um dia destes, no meu país, as coisas também assim serão. Um dia...
De passagem pela Suécia, reparo sobretudo no cuidado com as questões ecológicas. Pratos e talheres feitos de aparas de madeira reciclada, autocarros que andam a gás natural,por todo o lado avisos e sugestões à redução da poluição.
Na entrada do cinema oferecem-me maçãs, para o caso de me dar fome. Claro que mais à frente,as pipocas resistem, mas dão-me opção, gratuita, ainda por cima.
O barulho dos carros existe, mas é menor do que estou habituado.
Um dia destes, no meu país, as coisas também assim serão. Um dia...
26 de setembro de 2008
O ADEUS À BRISA
Fechei, hoje, a montagem de imagem do meu documentário sobre a figura de Urbano Tavares Rodrigues.
Era para mim uma evidência fazer um filme sobre uma figura a quem o país deve muito. Pelo seu exemplo, coragem, generosidade e talento.
Numa época em que parece ter desaparecido do mapa a figura do Outro, é bom concluir um filme sobre alguém que no meio de todas as tormentas defendeu sempre a ideia de um mundo em que o "homem é irmão do homem".
É por isso que usei o título de um dos seus romances. Para que no meio deste ar seco de humanidade sopre de novo uma qualquer brisa que nos alivie.
Fechei, hoje, a montagem de imagem do meu documentário sobre a figura de Urbano Tavares Rodrigues.
Era para mim uma evidência fazer um filme sobre uma figura a quem o país deve muito. Pelo seu exemplo, coragem, generosidade e talento.
Numa época em que parece ter desaparecido do mapa a figura do Outro, é bom concluir um filme sobre alguém que no meio de todas as tormentas defendeu sempre a ideia de um mundo em que o "homem é irmão do homem".
É por isso que usei o título de um dos seus romances. Para que no meio deste ar seco de humanidade sopre de novo uma qualquer brisa que nos alivie.
24 de setembro de 2008
TEATRO
Em, "DE HOMEM PARA HOMEM", de Manfred Karge, Beatriz Batarda vai tão bem como sempre. Apesar da peça poder ser mais significativa para os intervenientes nesta adaptação do que para o público português, já que vive muito de referências a lugares e situações que nos são estranhos, é com interesse e admiração que se assiste a este monólogo. A entrega total, capacidade mimetica e variedade de recursos de representação de Batarda, fazem desta peça (que poderia ser uma estucha, nas mãos de outra actriz)um excelente trabalho.
A ver.
No Teatro do Bairro Alto até 5 de Outubro.
Mais informações, aqui.
Em, "DE HOMEM PARA HOMEM", de Manfred Karge, Beatriz Batarda vai tão bem como sempre. Apesar da peça poder ser mais significativa para os intervenientes nesta adaptação do que para o público português, já que vive muito de referências a lugares e situações que nos são estranhos, é com interesse e admiração que se assiste a este monólogo. A entrega total, capacidade mimetica e variedade de recursos de representação de Batarda, fazem desta peça (que poderia ser uma estucha, nas mãos de outra actriz)um excelente trabalho.
A ver.
No Teatro do Bairro Alto até 5 de Outubro.
Mais informações, aqui.
18 de setembro de 2008
AINDA SOBRE O ESTADO ATMOSFÉRICO
Isto parece um livro do Júlio Verne, com explosões meteóricas, tempestades no mar e raios de sol que se podem tornar verdes em determinados lugares e épocas do ano.
Mas correndo o risco de me repetir, sempre conto que ontem e hoje de manhã, o cinzento do céu de Lisboa me empurrou contra a calçada. Ali andei, rastejando por entre as ervas e o bico dos pombos que já não voam. Estou eu neste estado de espírito, quando reparo em dois e-mails. Um vinha de Chicago, de uma conhecida que me diz a propósito de um projecto que julgava gorado: "Não entregues já o bilhete (expressão idiomática, que se usará certamente na windy city), que eu vou ver o que posso fazer".
E de Berlim, vinha outra, de uma nova leitora, que descobriu os meus livros em visita à vivenda da mãe portuguesa, em Sintra. E que partilha comigo esse encontro feliz.
E perante estas duas mensagens, olho para fora e reparo que o céu abriu de novo mais um pouco. Não está sol,ainda, mas já estou outra vez de pé. E isso é que conta.
Isto parece um livro do Júlio Verne, com explosões meteóricas, tempestades no mar e raios de sol que se podem tornar verdes em determinados lugares e épocas do ano.
Mas correndo o risco de me repetir, sempre conto que ontem e hoje de manhã, o cinzento do céu de Lisboa me empurrou contra a calçada. Ali andei, rastejando por entre as ervas e o bico dos pombos que já não voam. Estou eu neste estado de espírito, quando reparo em dois e-mails. Um vinha de Chicago, de uma conhecida que me diz a propósito de um projecto que julgava gorado: "Não entregues já o bilhete (expressão idiomática, que se usará certamente na windy city), que eu vou ver o que posso fazer".
E de Berlim, vinha outra, de uma nova leitora, que descobriu os meus livros em visita à vivenda da mãe portuguesa, em Sintra. E que partilha comigo esse encontro feliz.
E perante estas duas mensagens, olho para fora e reparo que o céu abriu de novo mais um pouco. Não está sol,ainda, mas já estou outra vez de pé. E isso é que conta.
14 de setembro de 2008

Tenho um sol que muda, no ambiente de trabalho do meu computador. Na verdade, é uma coisa virtual que anuncia o tempo que está e o que será. Mas gosto de o ver, a lembrar-me que estou na Terra, e que do lado de lá destas paredes, desta música que ouço na net, das letras com que me cruzo, há uma rua, pessoas e uma temperatura diferente da que tenho neste escritório.
Hoje, aceitei ir à praia. Estava à espera de ser uma coisa saudosa, com o Verão morto, para trás das costas, o banho eventualíssimo. Afinal, foi um dos melhores dias do ano, a água estava límpida, a praia com o número certo de pessoas e até sandes de atum em pão alentejano comi. Escrevo isto e penso num dos comentários do post anterior: o que fazer quando tudo falha? E penso que a resposta é aceitar que não sabemos tudo o que nos espera, nem controlamos o sol, ou a rotina dos nossos domingos. Há coisas que estão para lá das nossas certezas e vivê-las também faz parte do grande pacote de estar vivo.
9 de setembro de 2008
MUDA DE VIDA!
Cada vez há mais pessoas a ler livros que as aconselham a meditar, a apelar para o sobrenatural nas suas diversas formas, com o firme intuito de deixarem de sentir a dor ou a insatisfação das suas vidas.
Para esses, deixem-me dizer isto: meditar está certo, ajuda a recentrar. Mas melhor que tudo é abandonar a vida que não nos faz feliz.
Mesmo que doa, mesmo que se pague um preço, ao deixar para trás uma rotina familiar ou profissional ( e há sempre custos, em tudo isto), não há nada melhor do voltar a estar ao volante do seu destino.
Para os que acham que se calhar não é preciso, que mais tarde... talvez, aqui ficam as flash news: Em breve vamos estar mortos. Todos. O que nos vai separar é saber quem viveu o seu destino atá ao tutano.
Cada vez há mais pessoas a ler livros que as aconselham a meditar, a apelar para o sobrenatural nas suas diversas formas, com o firme intuito de deixarem de sentir a dor ou a insatisfação das suas vidas.
Para esses, deixem-me dizer isto: meditar está certo, ajuda a recentrar. Mas melhor que tudo é abandonar a vida que não nos faz feliz.
Mesmo que doa, mesmo que se pague um preço, ao deixar para trás uma rotina familiar ou profissional ( e há sempre custos, em tudo isto), não há nada melhor do voltar a estar ao volante do seu destino.
Para os que acham que se calhar não é preciso, que mais tarde... talvez, aqui ficam as flash news: Em breve vamos estar mortos. Todos. O que nos vai separar é saber quem viveu o seu destino atá ao tutano.
7 de setembro de 2008
ALTERAÇÕES
Como este fim-de-semana fiz umas pequenas alterações na casa, resolvi alargar o conceito ao blogue. Meti uma foto minha, porque é preciso dar a cara, ou pelo menos a testa - ou, se preferirem, mostrar os olhos, que são um dos poucos orgãos do corpo que não enganam - pelas nossas palavras.
Do lado direito, saiu a frase do RIO DA GLÓRIA, e a imagem tirada em Trieste, o ano passado, e entrou um excerto (bastante neutro) do livro em que trabalho actualmente.Vou mudá-lo de vez em quando, para não cheirar a mofo...
Seja bem-vindo quem vier por bem, como sempre.
Como este fim-de-semana fiz umas pequenas alterações na casa, resolvi alargar o conceito ao blogue. Meti uma foto minha, porque é preciso dar a cara, ou pelo menos a testa - ou, se preferirem, mostrar os olhos, que são um dos poucos orgãos do corpo que não enganam - pelas nossas palavras.
Do lado direito, saiu a frase do RIO DA GLÓRIA, e a imagem tirada em Trieste, o ano passado, e entrou um excerto (bastante neutro) do livro em que trabalho actualmente.Vou mudá-lo de vez em quando, para não cheirar a mofo...
Seja bem-vindo quem vier por bem, como sempre.
5 de setembro de 2008
PELA PÁTRIA LUTAR
Um jovem da minha família vai candidatar-se à Marinha. Parece que agora é moda, o site deles está simpático, os anúncios que passam na RTP2 alvitram uma viagem aventurosa no meio das vagas e assim.
Ele só não percebia bem por que tinham os seus conhecidos (na casa dos 20 anos) criado barriga, uns tempos depois de entrarem para quadro. Lá lhe expliquei que é devido ao esforço contínuo a que se submetem quase todos os que estão nas Forças Armadas. O amor à Pátria é tanto que só o afogam em cerveja subsidiada e cigarros sem imposto.
Gostava que entrasse na especialidade "condução". Digo isto, por puro instinto de protecção. É que depois de passar 3 anos a levar os filhos do comandante ao colégio, a mulher deste à modista e o propriamente dito sabe-se lá onde, sempre poderia concorrer para motorista do Parlamento. Ou de uma empresa pública. Tinha a mesma vida sem fazer nenhum e recebia entre 2.000 a 3.000 euros por mês. Não era mau.
... Só não sei é por quanto tempo se livraria da barriguinha.
"Pelos galões, marchar, marchar!!"
Um jovem da minha família vai candidatar-se à Marinha. Parece que agora é moda, o site deles está simpático, os anúncios que passam na RTP2 alvitram uma viagem aventurosa no meio das vagas e assim.
Ele só não percebia bem por que tinham os seus conhecidos (na casa dos 20 anos) criado barriga, uns tempos depois de entrarem para quadro. Lá lhe expliquei que é devido ao esforço contínuo a que se submetem quase todos os que estão nas Forças Armadas. O amor à Pátria é tanto que só o afogam em cerveja subsidiada e cigarros sem imposto.
Gostava que entrasse na especialidade "condução". Digo isto, por puro instinto de protecção. É que depois de passar 3 anos a levar os filhos do comandante ao colégio, a mulher deste à modista e o propriamente dito sabe-se lá onde, sempre poderia concorrer para motorista do Parlamento. Ou de uma empresa pública. Tinha a mesma vida sem fazer nenhum e recebia entre 2.000 a 3.000 euros por mês. Não era mau.
... Só não sei é por quanto tempo se livraria da barriguinha.
"Pelos galões, marchar, marchar!!"
3 de setembro de 2008

Das taveiradas de antanho
Perguntei-me, muitas vezes, ao longo dos anos, de onde viria a inspiração para o disparate, a um certo arquitecto-cineasta, que tão bem se abotoa com o dinheiro.
A resposta chega-me do meio do capítulo IV, do atrás citado livro do Eça:
"Numa antecâmara,guarnecida de banquetas de marroquim, devia estacionar, à francesa, um criado de libré. A sala de espera dos doentes alegrava com o seu papel verde de ramagens prateadas, as plantas em vasos de Ruão, quadros de muita cor, e ricas poltronas cercando a jardineira coberta de colecções do Charivari, de vistas estereoscópicas, de álbuns de actrizes semi-nuas para tirar inteiramente o ar triste de consultório, até um piano mostrava o seu teclado branco.
(...)
Alguns amigos que começavam a cercar Carlos, Taveira, seu contemporâneo e agora vizinho do Ramalhete (...) Taveira absorveu-se nas fotografias de actrizes..."
A colorida resposta para os estádios, amoreirices e edifícios Totobola é, afinal, histórica. Runs in the family...
2 de setembro de 2008
OS MAIAS

Por razões caseiras, vi-me a reler OS MAIAS.
Apesar de ser uma das poucas obras realmente interessantes que os variados ministérios da educação têm mantido nos programas, dei por mim a pensar que talvez fosse apenas um bom livro que não lia há muito tempo.
OS MAIAS não é apenas um bom livro, é um Grande Livro. Talvez o melhor romance alguma vez escrito em Portugal. É por isso que se aguenta tantos anos depois. É também por isso que mal o começamos a ler nos esquecemos das marcas de temporalidade: levamos com as carruagens nas suas tipologias mais variadas, nos francesismos e anglicismos e não nos queixamos. Melhor: até gostamos.
Este romance que li pela primeira vez aos 16 anos, interessa-me tanto como na primeira vez. Faz-me rir e emociona-me como no primeiro dia. E isso, muitos milhares de livros depois, é obra.
Honestamente, não me parece que haja um único escritor contemporâneo (e podemos andar décadas para trás) que lhe chegue aos calcanhares. Todos penamos para ser originais, dominar a língua (as línguas, nalguns casos) o melhor possível, mas ser Eça, fica muito para lá do Equador. Dessa linha imaginária que separa os que se acham escritores ou até ganham fama e fortuna nesse equívoco e os que são, por mais que o tempo passe sobre o seu trabalho.
Agora peço desculpa, mas tenho de ir concluir um trabalho, e estou com pressa de voltar ao Ramalhete.

Por razões caseiras, vi-me a reler OS MAIAS.
Apesar de ser uma das poucas obras realmente interessantes que os variados ministérios da educação têm mantido nos programas, dei por mim a pensar que talvez fosse apenas um bom livro que não lia há muito tempo.
OS MAIAS não é apenas um bom livro, é um Grande Livro. Talvez o melhor romance alguma vez escrito em Portugal. É por isso que se aguenta tantos anos depois. É também por isso que mal o começamos a ler nos esquecemos das marcas de temporalidade: levamos com as carruagens nas suas tipologias mais variadas, nos francesismos e anglicismos e não nos queixamos. Melhor: até gostamos.
Este romance que li pela primeira vez aos 16 anos, interessa-me tanto como na primeira vez. Faz-me rir e emociona-me como no primeiro dia. E isso, muitos milhares de livros depois, é obra.
Honestamente, não me parece que haja um único escritor contemporâneo (e podemos andar décadas para trás) que lhe chegue aos calcanhares. Todos penamos para ser originais, dominar a língua (as línguas, nalguns casos) o melhor possível, mas ser Eça, fica muito para lá do Equador. Dessa linha imaginária que separa os que se acham escritores ou até ganham fama e fortuna nesse equívoco e os que são, por mais que o tempo passe sobre o seu trabalho.
Agora peço desculpa, mas tenho de ir concluir um trabalho, e estou com pressa de voltar ao Ramalhete.
29 de agosto de 2008
DAS COISAS QUE NOS DIZEM
Nos últimos tempos entra-se nos países árabes com medo. Poderia dizer isto de uma forma mais "adequada", mas é medo que se sente quando damos por nós rodeados por multidões em férias, as mulheres cobertas para lá dos dentes e os homens iguaizinhos aos retratos dos bombistas suicidas da televisão. É com alívio que se avista aqui e ali um europeu perdido, ele próprio com ar receoso....
Depois a coisa passa. Agradamo-nos da limpeza do interior das casas modestas, da forma delicada e prestável como falam connosco. Reparamos na delicadeza dos tecidos e na dificuldade do ritual do chá. E, mais importante de tudo, que são pessoas exactamente como nós, melhores em muitos aspectos, iguais ao que nós éramos 30 anos antes, noutros. Não há grande diferença entre a Maria Cavaco Silva de véu diante do Papa e a mulher que se esconde por detrás do lenço. As duas estão convencidas de estarem a fazer "a coisa certa". E estão, de alguma maneira.
Quanto mais viajo pelos países pobres, muçulmanos ou outros, mais me convenço de que a Europa perdeu alguma coisa no trajecto para a prosperidade. A começar nas pessoas.
Enquanto passeio pelos ruas estreitas, no meio de carpinteiros e alfaites que lutam para se manter vivos e dignos, penso em Bush, criado na riqueza republicana. E pergunto-me por que razão tomamos, inconscientemente, para nós o medo ignorante dele e dos que são como ele.
Na verdade, a brevidade da vida deveria fazer-nos repetir Inshallah (está tudo nas mãos do Destino).
O nosso único medo permitido deveria ser o de não ter vivido.
Nos últimos tempos entra-se nos países árabes com medo. Poderia dizer isto de uma forma mais "adequada", mas é medo que se sente quando damos por nós rodeados por multidões em férias, as mulheres cobertas para lá dos dentes e os homens iguaizinhos aos retratos dos bombistas suicidas da televisão. É com alívio que se avista aqui e ali um europeu perdido, ele próprio com ar receoso....
Depois a coisa passa. Agradamo-nos da limpeza do interior das casas modestas, da forma delicada e prestável como falam connosco. Reparamos na delicadeza dos tecidos e na dificuldade do ritual do chá. E, mais importante de tudo, que são pessoas exactamente como nós, melhores em muitos aspectos, iguais ao que nós éramos 30 anos antes, noutros. Não há grande diferença entre a Maria Cavaco Silva de véu diante do Papa e a mulher que se esconde por detrás do lenço. As duas estão convencidas de estarem a fazer "a coisa certa". E estão, de alguma maneira.
Quanto mais viajo pelos países pobres, muçulmanos ou outros, mais me convenço de que a Europa perdeu alguma coisa no trajecto para a prosperidade. A começar nas pessoas.
Enquanto passeio pelos ruas estreitas, no meio de carpinteiros e alfaites que lutam para se manter vivos e dignos, penso em Bush, criado na riqueza republicana. E pergunto-me por que razão tomamos, inconscientemente, para nós o medo ignorante dele e dos que são como ele.
Na verdade, a brevidade da vida deveria fazer-nos repetir Inshallah (está tudo nas mãos do Destino).
O nosso único medo permitido deveria ser o de não ter vivido.
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